"Tristeza não tem fim,
Felicidade sim."
- A Felicidade
No meio do samba que movimenta a cidade,
a dura cidade de São Paulo ou Rio ou Belém, Buenos Aires ou Viena
ou Tóquio ou Port Louis,
o mar que move o mundo e o ar que insufla a vida não são senão os mesmos
que os idos dos heróis, dos antiheróis, do passado.
Cada ser humano com seu afã, seu breve momento de glória,
e sua tragédia,
sua cruz,
sua marca.
O garoto que alarde aos quatro ventos seus feitos,
uma bem merecida apreciação de suas habilidades,
"Vejam, vejam como faço isso muito bem!"
buscando eternamente demonstrar a alguém (a si mesmo?)
que é bom o suficiente!
O bom senhor,
que se diverte, e quer bem,
e a ninguém deseja ou traz o mal,
e alenta os corações com sua bondade, seu amor e suas palavras,
e a paz que isso lhe custa!
O intelectual que insiste em provar sua inteligência
(até mesmo quando não há dúvidas),
tentando encontrar um lugar,
seu lugar,
que (imerecidamente) nunca teve!
Outros tantos que vagam por aí,
de bonde em bonde em bonde,
sedentos,
de algo,
de água,
da mais pura água,
ávidos por esta felicidade
translúcida
que escapole pelos dedos
obstinados,
a esmo,
desencontrados.
Aqueles raros,
estrelas cadentes,
que iluminam, e atraem
inadvertidamente,
calmos como o ar,
perenes como a vida -
baluartes,
como Atlas -
e tocam,
em nosso mais íntimo,
e nos movem
para mais além,
sozinhos.
Somos cada humano um universo,
e dentro deste universo outro mais,
nunca se encontrando,
todo o sempre mais distantes,
ainda que por vezes nossas trajetórias se aproximem e produzam fachos da mais preciosa beleza,
efêmeros
eternos
infinitos
perdidos
segunda-feira, 3 de abril de 2017
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Pobreza emocional
Ninguém tem direito de tratar mal ao outro.
O triste é constatar ser pela intimidade - que deveria ser algo tão lindo - que às vezes as pessoas parecem permitir-se fazê-lo.
Você que o faz presta um desserviço a quem ama.
Você que se permite sofrê-lo presta um desserviço a você mesmo.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Perspectiva
Olhou adiante, a cidade ao fundo, do outro lado do longo caminho de terra e pedras que percorreram até chegar ali, após tropeções e machucados e fome e brigas e medo. A vista parecia linda, a vista deveria ser linda, mas não era. Talvez o caminho houvesse sido extenuante, demorado demais, e já não importava.
sábado, 1 de setembro de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Código de honra
Ajoelhou-se. Era um cavaleiro, enfim - atado ao seu próprio código de honra:
Lutar pelo que é justo
Pelo que é belo
Por um amanhã.
sexta-feira, 2 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
Atemporal
Viu o busto entalhado em mármore. O informativo à frente não identificava a pessoa, e presumidamente representava um oficial qualquer de um exército de outras épocas.
Presumidamente - porque os detalhes, ao menos para ele, eram demasiado reais: as imperfeições no rosto, o nariz quebrado, as orelhas desproporcionais, o cabelo ralo e, contrastando com tudo isso, a serenidade.
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