terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Stimmt das nicht, Patita?
Pum!...
Algumas também são permanentes.
Pessoas vem e vão, e deixam uma marca na gente.
É tudo tão efêmero...
Mas algumas marcas duram deliciosamente.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

- É, é verdade. Eu sou meio assim tarado por judô mesmo - disse.

Luta de Judô

Lá estavam, novamente.
Otávio havia lutado contra aquele rapaz antes e sofrera uma derrota copiosa. Ainda se lembrava: fora de tal modo subjugado que mal conseguira mover-se: as poucas técnicas que conseguiu iniciar foram repelidas, quando não eficazmente contra-atacadas, e os golpes que o rapaz desferiu foram quase todos capazes de derrubá-lo.
E agora enfrentar-se-iam novamente.
Lembrava-se ainda de haver pensado que simplesmente não tinha chance contra o oponente; que ele simplesmente era muito melhor.
Mas não ia entrar na luta com a intenção de perder.
O sinal para iniciar soou; o cumprimento de mão, sinal de cordialidade e respeito entre judocas, foi dado, pelo que a luta efetivamente começou.
Não iria perder. Pelo menos não do mesmo jeito; não sem tentar.
Sondou o oponente, descrevendo um círculo ao seu redor e procurando uma oportunidade, uma abertura em sua postura. Mas não havia; a dele era uma postura muito defensiva, sempre ambas as mãos rente ao corpo a protegê-lo.
Sempre as mãos rente ao corpo a protegê-lo.
Sempre - exceto quando Otávio tentava fazer sua pegada, pelo que este contra-atacava e prendia Otávio como que a uma parede.
Otávio deu dois passos para o lado, respirando e preparando-se.
"Isso não vai se repetir", disse para si mesmo - e pegou.
...Pegou a manga esquerda do seu adversário e segurou como se sua vida dependesse disso.
Otávio era destro e o outro canhoto e mais forte, pelo que na briga de pegadas aquele conseguia impor a sua. Então, se era assim, Otávio ia se adaptar - e matou a mão esquerda do adversário com a sua direita, fazendo também uma pegada de canhoto.
E se moveu, porque se ficasse parado o outro ia usar de sua força. Passo em círculo, passo em círculo, puxa, prepara a entrada...
...Uma tentativa de rasteira do oponente por dentro de sua perna esquerda! Esquivou, e um outro ataque por dentro da direita! Saltou para o lado, perdeu o equilíbrio - e mais um ataque, um golpe de quadril se aproveitando de sua instabilidade!... Mas Otávio caiu de joelho - por pouco!
Levantou-se, ambos agora distantes e a entreolharem-se. Havia conseguido descobrir uma brecha na postura do oponente, mas isso não era tudo. Aquele ainda era forte e experiente; não seria fácil.
A luta continuou. Seguiu-se uma sequência de ataques de ambos os lados, o adversário incapaz de impor sua pegada ideal e vacilando nos ataques, e Otávio com as dificuldades inerentes ao lado menos apto de seu corpo.
Até que o oponente o olhou nos olhos. E puxou!
Otávio logo soube o que viria - um daqueles terríveis golpes de quadril, e se não agisse rápido seria atirado ao ar e de costas ao chão!
...Então deixou-se puxar! - e, conforme o oponente iria virar-se, travou-o com o corpo, jogou o corpo para a direita e desequilibrou o oponente.
O-soto-gari - a grande rasteira - com a esquerda, era isso que tinha que fazer!
E fê-lo!
O oponente tremeu, desequilibrando-se enquanto olhava Otávio incrédulo nos olhos e este o varria com a perna esquerda, puxando seu braço esquerdo rumo ao chão e o empurrando para trás com o outro, fazendo-o cair pesado sobre o tatame ao som potente do amortecimento de braço!
O gongo soou.
Ippon.

Você sabe que é amado por seu irmão...

...quando conta vantagem para este com relação a algo em que este é notável e obviamente mais bem sucedido que você e, com o que só pode ser encarado como uma atitude de compaixão para acalentar seu ego necessitoso de afirmação, este lhe afaga a cabeça e diz (genuinamente):
- Muito bem, maninho. Eu não faria melhor.

Passando a tocha

Colheu do chão a flor que ali estava. Rosas sempre foram objeto da apreciação do pai - no frio, sob as mais espessas camadas de azul, estas podiam sempre despontar em um vermelho fulgurante. O pai gostava dessas coisas, e sempre parecera atribuir-lhes algum simbolismo que nunca explicava. Talvez pensasse que explicações acabassem com a magia do significado.
Velho excêntrico, disto ninguém duvidava. Sempre tivera suas doidices.
Olhava a rosa, o pensamento longe. E enquanto lembranças iam e vinham, tudo parecia fazer e não fazer sentido. Crescera ouvindo do pai o seu desejo de viver bem e intensamente, gozando a vida e seu corpo e suas emoções tanto quanto a natureza permitisse. A vida tinha seu ciclo, e o homem tinha aprendido a alterar este ciclo, fazendo-o fundamentalmente de maneira benigna - mas também, como não era incomum da natureza humana, a utilizá-lo de modo nocivo para si.
Sentiu um gosto amargo quando lembrou do sumiço do pai. Nada, senão um bilhete tolo com uma poesia evocando a necessidade de "passar a tocha"! Teve vontade de gritar, e com efeito sentiu algo em seu punho quebrar-se quando socou o corrimão de ferro da fonte ali próxima.
Velho estúpido!
É bem verdade que nunca tivera reclamações com relação ao pai. Crescera em um ambiente de amor e conforto, e reconhecia que mesmo os castigos do passado traziam consigo carinho e a medida precisa de disciplina para permitir o aprendizado. Não fora sempre presente, também, mas de modo algum poder-se-ia chamá-lo de pai ausente; e, com efeito, o tempo que passavam juntos era sempre intenso. Não tinha reclamações neste sentido: o pai fora um suporte durante toda sua vida, e até quando sua ausência fora necessária para permitir o crescimento, este teve tal sensibilidade - não sem uma certa dose de desafio, também.
De fato, o pai adorava desafiá-lo. Desafiava a todos, na verdade, e jamais cansava de contar vantagem. A maioria das pessoas o tomava por arrogante devido a isto, mas o filho - talvez por também ser assim - percebia que não era nada da sorte, senão uma forma de cativar as pessoas para a atividade em questão e extravasar os mais intrínsecos urjos humanos de combate. Nunca se abatia quando perdia, e sim ria e exigia uma revanche; e quando se tratava dele, seu filho, mostrava mesmo um contentamento pueril quando da derrota - ainda que jamais, apesar de mais forte, cedesse a vitória injustamente.
Se ele, o próprio filho, não entendera a atitude do pai, o que diria o mundo? O pai se empenhara em muitas iniciativas e, devido a desdobramentos ao longo de toda sua vida, teve a oportunidade de utilizar de seus recursos em prol de inúmeras causas. Como resultado, uma miríade de pessoas contava com o a constante possibilidade de recorrer ao seu auxílio. Muitos o conheciam. O que diriam, agora? Outros havia para assumir tal lugar - o próprio pai sempre fizera questão de não ser a única alternativa. Não obstante, como poderia justificar seu sumiço?
Não poderia.
O velho já não estava ali; como o vermelho da rosa ao chão, que de pronto se esvaíra na neve.
Ali próximo havia um jardim, e outras flores mais o enfeitavam.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Crianças em corpos de homens

Pode uma instituição (uma universidade, por exemplo) destruir o espírito de seus integrantes (no caso, os estudantes)? Isto é: minar-lhes a confiança em si e outrem, a capacidade de insurgir-se efetivamente ante situações tidas como injustas, de assumir responsabilidade por si e pelo grupo, seu ímpeto de expansão e até uma possível visão positiva de sociedade?
Sei de professores universitários que foram alunos de universidades brasileiras de renome famosas por seu elevado rigor disciplinar e que hoje, sinceramente, parecem ter algo profundamente afetado em seu âmago no sentido do que foi indagado anteriormente. E recentemente conheci também alunos atuais de ditas universidades próximos de graduar-se que estes, também, pareciam estar passando por esse mesmo processo. Espero estar enganado.
"Rigor disciplinar" de modo algum é sinônimo de qualidade (embora em certas dessas universidades ambos estejam presentes), e é perfeitamente possível manter um controle regulamentar satisfatório sobre os estudantes que seja flexível. Só como exemplo deste caso podem-se citar certas universidades estaduais paulistas que singram entre as melhores do país e que são tolerantes com as atitudes de seus estudantes em termos de insubordinação, controle de faltas e notas etc. (o que não implica necessariamente em leniência, já que em casos de transgressão mais graves ou deliberadas a punição é segura).
Desde os primórdios da humanidade toda sociedade tem seus ritos de passagem para a adultidade - quando a criança vira homem e assume responsabilidades como tal. Coibir esse processo é cultivar uma sociedade de crianças incapazes de fazer seus próprios julgamentos por si mesmas e lidar com situações fora da esfera normativa que obedecem. E não, não acredito que isso esteja nos interesses de alguém - ainda que uma tal instituição o intente fazer sob a suposta égide da "disciplina".
Crianças em corpos de homens - há que evitar isso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Freud e o Modelo Toyota de Produção

Dia a dia, mês a mês, ano a ano vão-se acumulando vivência e experiências; estas se acomodam em nós e nem percebemos.
Assim, convém vez ou outra arrumar essa bodega - principalmente se há uma pilha de coisas acumuladas atrapalhando e não se sabe o que há embaixo.
Dizem que é uma mão na roda. Uma espécie de 5S da alma, diria um engenheiro de produção metido a psicólogo.