quarta-feira, 30 de março de 2011

rumo a arte moderna

...parte II.
Textos incompletos têm todo um mistério. Você fica imaginando o
27 dias.

domingo, 27 de março de 2011

Meio cheio?

"Tristeza não tem fim; felicidade, sim", diz a música. Mas, Vinicius de Moraes que me perdoe, isso é uma tremenda de uma besteira; é claro que tal noção depende de como se as encara. Sabe como é, aquela velha história do copo preenchido até a metade - afinal, ele está meio cheio ou meio vazio?
Não obstante, há desses momentos, desse singelos momentos em que tudo parece tão no seu lugar (ainda que não esteja!), a alegria assim quase palpável no ar, em que é inevitável um pouco de melancolia, um certo não-querer que a sensação passe.

Remando contra a maré

Penso que é preciso remar contra a maré, quando necessário.
Mas o necessário me parece raro, e na maior parte do tempo mais convenha aprender a utilizá-la.

quarta-feira, 23 de março de 2011

E se, ao vires quem sou, te afastas de mim?

segunda-feira, 21 de março de 2011

Confissão

- Tenho medo de ver que cresci, isto na pior acepção do termo - disse.

Pais e filhos

...parte II.
É bem verdade, entretanto, que o crescimento traz consigo também momentos e experiências os mais felizes. E é por isso, afinal, que talvez quando pequeno eu estivesse errado: é simplesmente injusto discernir entre adultos e crianças com base na maturidade ou coerência ou racionalidade.
Depois de vivenciar o que há de mais feliz e mais triste nessa vida, quem pode culpar uma tal pessoa por agir com base no sentimento, e não na razão?

Pais e filhos

Quando eu era pequeno, jamais pude entender que grande diferença havia entre crianças e adultos. Estes últimos me pareciam iguaizinhos àqueles primeiros, exceto que feridos e quebrados em tantos sentidos!...
Hoje penso nisso e me parece que estava certo. Muito do que aprendemos no decorrer do crescimento não é nada - antes nos torna ainda mais imaturos -, sendo simplesmente difícil passar incólume pelos acidentes da vida.

Zumo de naranja y chocolate

Riu-se. Não conseguia acreditar que alguém poderia classificar a companhia das pessoas como boas ou ruins de acordo com seus graus de aceitação a respeito de tomar suco de laranja e chocolate como café da manhã.
Porque existem pessoas que tomam essas coisas ao acordar, antes mesmo de sair da cama. E gostam - dizem que dá disposição para levantar.
Bem... ao menos uma pessoas dessas existe!

segunda-feira, 7 de março de 2011

A conquista do imperador

No início eras só mais um planetinha a conquistar. Parecias bonito, mas não tão diferente dos demais, e a perspectiva de conquistar-te aprazia meu ego e me levou a essa empresa. Eras aceitável, afinal.
Subjugar-te foi fácil. Sequer tinhas como contra-atacar; teu povo, alegre, aceitou de boa vontade o grilhão que eu lhe impunha. Tal foi que pude fazer o que queria, e me parece que mesmo os erros mais crassos de dominação me teriam sido recompensados com o sucesso em domar-lhes. Nem precisei dar a ordem, e já cartazes meus figuravam espalhados por tuas cidades...
Mas tive que partir, a cumprir com outras responsabilidades esmagando uma revolta em um outro planeta sob o controle de meu império. O processo contigo - em vias de dominação - ainda não estava completo, claro - faltava instalar armas, treinar teus nativos e tantas outras coisas mais -, mas isso poderia facilmente ser feito dali a algum tempo. Pelo que parti, feliz e satisfeito com tua conquista segura que trar-me-ia fama e confiança para as empreitadas futuras.
Assim que intentei pacificar o outro planeta com presteza, pensando que não seria má ideia terminar tão rápido quanto possível depois o trabalho contigo. Mas o trabalho de pacificação é demorado - exige a captura e execução exemplar de líderes do movimento, um longo processo de redessentivização da população, a gradual imposição e aceitação do poder alheio...
Mas terminou, e pude enfim voltar ao trabalho interrompido! Ah, havia tanto o que fazer em tuas terras! Era o que pensava, e com efeito não o que se passava. Ao te encontrar me deparei com tudo já terminado por teus nativos, que trataram de dar prosseguimento a meus trabalhos enquanto estive fora. Assim que fui recebido por uma colossal parada militar em teu seio, com demonstrações de poder e apresentações de tuas crianças e teus jovens e adultos a saudar-me. Tudo estava pronto e tu, planetinha, feliz em receber-me. Os dias faltantes destinados à tua conquista foram assim usufruídos em meio a teu - meu! - povo, conhecendo-te e realizando festas e cerimônias e banquetes.
Até chegar a hora da partida. Existem outras prerrogativas como conquistador do universo, e não se pode prolongar a estadia em um planeta "ad infinitum" - principalmente quando a conquista desse já se deu. Pelo que tinha que partir...
Tinha que partir daquele planetinha que uma vez fora só mais um planeta qualquer, e que se mostrara tão único e especial e digno de minha atenção. Daquele planetinha cuja conquista trouxera consigo também, por que não?, amor, mas que encontrava-se tão distante da sede do império que dificilmente receberia minha visita - oficial ou não - novamente. Tinha que partir de ti.
E o fiz.
Tanto tempo depois, agora, pouco me importa se vá a conquistar o universo ou o multiverso ou tudo que exista ou venha a existir... Muitos afirmam que, talvez devido à idade avançada, à já vastidão de seu império ou à crescente complexidade das tarefas burocráticas, o imperador perdeu o ímpeto dominador; mas a verdade é, antes de tudo, uma só: uma parte fundamental dele ficou em ti, planetinha.
Que tão docemente me conquistou.