terça-feira, 31 de maio de 2011

Sansão

É, a vida tem dessas épocas.
Épocas em que firme e forte se vai matando um leão por dia.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Obrigado por tudo.

Nu

Não estava acostumado a mostrar-se; o fato de saber-se atraente não significava que não se constrangia ao despir-se.
Até porque tinha aquelas cicatrizes, aquelas marcas...
Mas ela jamais desviara o olhar.
Há algo muito, muito diferente.
Hoje tive um sonho, e acordei sorrindo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Raiz de todos os males

A falta de empatia?

Lutas e mistura de culturas

O judô treinado no Brasil busca ser bastante tradicional, e preservar a cultura japonesa prevalente no tempo de sua transferência para essas terras; e, a meu ver, peca por manter vivos certos aspectos que não são positivos para a construção do indivíduo - a saber, notadamente o respeito irracional à hierarquia.
O jiu-jitsu brasileiro, por outro lado, é essencialmente verde-amarelo e preza - involuntariamente mesmo - cultivar valores como companheirismo, amizade e informalidade - o que não raro gera confusão e acaba por admitir irresponsabilidade por parte dos praticantes; daí a triste fama que o esporte (ou arte marcial, que seja), por causa das ações de poucos, tem.
Um desabafo? Bem que podia haver um meio-termo, hein?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

E, é claro, o meio também é relevante. Uma vez alguém muito importante me deu uma camisa com um dizer bem pertinente:
"Gentileza gera gentileza."
Mas, apesar disso, acredito que transformar o mundo em um lugar melhor vai para além da mera retribuição, envolvendo assumir a iniciativa, tomar a dianteira. E no sentido oposto seria necessário saber precisamente quando não retribuir: em face da agressão, se não dar a outra face a tapa, sim ter o espírito de não retribuir a ofensa. E talvez, ainda, ensaiar uma reconciliação.
Trata-se de algo muito poderoso, apesar de certamente nada trivial.
A ambição é perigosa quando extrapola os limites de respeito ao bem-estar alheio.
É bem verdade que a carga genética de um homem é decisiva para muitos aspectos de sua vida. Define suas aptidões, fraquezas, qualidades... e certamente muito de seu comportamento.
Não obstante, acredito não estarmos fatalmente limitados por nossos genes. Há ainda outros importantes aspectos que considerar.
Em particular, esforço e vontade.

Sina

"Eu não quero ser um produto do meu meio. Eu quero que o meu meio seja um produto meu. (...) Ninguém nessa vida vai lhe dar nada: você é que tem que tomar."
- Frank Costello em Os Infiltrados.

- Venha, pequeno. Você já sabia disso - bem lá no fundo, você sabia - disse, alheio ao olhar atordoado do outro.
A chuva caia torrencial lá fora, e mesmo no escuro do quarto o velho homem podia reparar nas nuances do rosto do filho - as quais revelavam não o choque de presenciar algo jamais imaginado, o que por si já seria assustador, mas sim o terror de vivenciar aquilo que fora concebido nos pensamentos mais sombrios, aquilo que em si considerava diferenciá-lo da humanidade como um ser à parte, aquela mesma energia destrutiva que na natureza faz a viúva-negra decapitar o marido e os lobos devorarem sua prole, no próprio pai.
- Somos diferentes deles, e não podemos lutar contra isso; você sabe que não pode. - O velho apontou para o peito do filho, onde jazia uma enorme queimadura. - Você nunca me disse do que se tratava. Jamais precisou; eu sei.
Podia contar nos dedos as pessoas que sabiam da origem real da marca, sequer precisaria de uma mão inteira - e seu pai não figurava entre elas. A cicatriz remontava a um acontecimento terrível de sua infância, um que compartilhava apenas e tão somente com aqueles que haviam mostrado prova irrefutável de confiança, e mesmo a esses sob a mais alta cautela - isso tudo não por vergonha, mas por arrependimento e pela certeza de que revelá-lo pô-lo-ia permanentemente sob a suspeita daqueles que deveriam ser seus iguais. Aquela marca era a prova de que ele não era um deles.
- A humanidade sonha com aceitação. Diariamente pessoas abaixam a cabeça, vão a trabalhos que detestam, convivem com pessoas que lhes tratam como lixo e se prostram a ditames que sequer questionam apenas para poder identificar-se, fazer parte de um grupo. Mas você nunca precisou disso... apesar de jamais se haver aceitado. É só o que falta para chegar ao sublime.
Aquilo poderia parecer um típico e batido discurso de auto-aceitação, mas com efeito ninguém além do filho saberia ler nas entrelinhas o que estava realmente sendo dito. Este sabia, muito embora desejasse não sabê-lo, que o pai falava do mais primal e paradoxal dos urjos naturais, este que em seus sangues corria tão forte: o de gerar caos, destruição, vazio - se era bem verdade que indivíduos como eles eram raros, assim o era unicamente porque senão uma dita sociedade não seria possível. Já não era mais jovem; e agora, sabia, seu pai lhe conclamava a testar os próprios genes, a própria essência do que fora passado de geração em geração em sua família. Logo restaria apenas um dos dois; e se esta essência não resultasse forte suficiente, viral o suficiente, seria o próprio pai.
E com isto não haveria como dizer o que seria feito com sua família, seus amigos, seus conhecidos. Sabia do perigo representado pela figura paterna porque sentia, ele próprio e desde há muito, aqueles ímpetos e sabia aonde necessariamente levariam.
- Não, pai - suplicou - não precisa ser assim. E tudo o que passamos?
O velho levantou a arma, apontou-a rija à frente.
- Foi preparação para isto. Eu não esperava que esse momento fosse nem um pouco menos difícil para você... ou para mim - suspirou, em seu ar a mesma resignada e necessária dedicação ao dever do trabalhador que toda manhã veste os trajes e segue para a labuta.
- O teu fim é o meu, mas te asseguro que ninguém agradecerá por isso.
Disparou.
O filho sentiu uma pontada no ombro direito. Atrás de si um som de faiscar elétrico, as luzes da casa a apagar-se em definitivo, o fornecimento de energia interrompido. E ouviu passos a afastar-se cada vez mais - lenta, calma, seguramente. Continuava vivo porque a questão, sabia, não se tratava de mero e simples abate. Tratava-se, isto sim, de uma prova.
Era chegada a hora de separar a presa do predador.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Estás más cerca de mi de lo que imaginas.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Revolução

Ser a mudança que sonhamos.
Isso é mudar o mundo; é nisso que acredito.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Criação

Deus ordenou:
- Que se façam os brigadeiros!
E foi assim que começou.
(Os brigadeiros, entretanto, jamais foram feitos.)

sábado, 7 de maio de 2011

rumo a arte moderna

...parte IV.
É divertido buscar formas (pretensamente) artísticas de explorar espaços tão prosaicos como estes tais blogs. Mas será que fazê-lo temporalmente é forçar demais? E se - por exemplo - eu apagar essa postagem, apenas para postá-la diferente depois?
E se eu já havê-lo feito?
(E quem se importa?)

rumo a arte moderna

...parte III.
Sabia que ela não ouvia, mas isso não o impedia de dizê-lo. Conforme dormia,

Não tenho medo de você.

- Qué pasa con nosotros?

Na vida, você foi como um uchi-mata bem encaixado.

dizia-lhe que sempre estaria ali - mas talvez fosse melhor que não soubesse.

A comparação, entretanto, não era muito romântica.

- No sé, pero seguramente no es nada poco importante.

Mas deveria ter medo de como você me conquistou.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Por isso, pelo bem estar geral, há que saber direcionar esses instintos.

Natureza humana

"Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."
- Friedrich Nietzche.

Parece-me inocência acreditar que o bem-estar e felicidade humanos não estão intimamente ligados à satisfação de impulsos e vontades os mais primitivos. Pelo que, penso, seria importante saber ouvi-los...
Mas e se esses urjos assumem cunho profundamente anti-social?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pedir ajuda, aliás: outro aprendizado digno de nota.

Aprendizado

Nada mais contraproducente na hora da dificuldade que reclamar. Neste sentido me parece muito mais valer a pena tentar lidar com o problema, contorná-lo, buscar um caminho - em suma: aprender a lidar com as dificuldades, isto que é uma qualidade tão útil.
Aprender a lidar com as dificuldades - nem que seja pedindo ajuda.

Farinha do mesmo saco

E não entendiam porque ele fazia todo aquele treino intenso na academia, se seu objetivo era o judô.
- Pois é justamente para melhorar habilidades que auxiliam na arte suave, ora pois - respondia.
Milhas dali, a cena se repetia: eis que o pai da mesmíssima criatura começava a praticar skate para melhorar no surfe.
É.
Tal pai, tal filho.