Você pode saber-se querido quando alguém passa mais que cinco vezes o tempo necessário para ler algo que você escreveu, isso só para poder degustar a suposta candura de suas palavras.
sábado, 24 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Dame Alas
Faz tempo - muito tempo!, e isso talvez seja até tema para uma outra postagem - que não posto poesias aqui. Daí encontrei essa de baixo recentemente, e quis compartilhá-la.
Dame Alas
Dame alas
para volar
lejos, lejos,
hacía el medio del infinito y volver.
Dame alas
para viver,
sentir el calor
en los brazos de los lejanos amigos del invierno.
Dame alas
para amar -
con fuerza, fuerza! -
este mundo y la gente de mi corazón a quien quiero.
Dame alas...
Damelas...!
Porque, aunque no las necesite,
yo las quiero.
Comentar um poema, ainda mais quando quem o faz é o próprio autor, é sempre um golpe em sua capacidade de servir às pessoas, permitir-lhes identificar-se. Então deixo esse quieto, e não vou dizer que sua mãe foi a saudade - saudade de pessoas; pessoas cuja distância nem sempre é apenas física.
domingo, 18 de abril de 2010
"Toca Raul!!!"
"Eu sempre quis ser diferente; e tanto fiz nesse sentido! Mas agora vejo que sê-lo é tão... solitário" disse um bom amigo - tomei a licença de mudar-lhe as palavras, mesmo porque a memória talvez me falhe (ademais, meu rapaz - se você estiver lendo isso -, saiba que ao reproduzir suas palavras não tenho pretensões de avaliar realmente como você pensa ou se sente, e sim apenas expor como o entendi).
Diferente do amigo supracitado acima, eu nunca quis ser diferente; com efeito, sempre avaliei com uma ponta a mais de suspeita o comportamento de pessoas que querem sê-lo apenas por ser. Não consigo deixar de pensar que estejam apenas a cultivar seu ego - e isso, por si só, ao menos para mim, não tem nada de particularmente atraente.
Se é verdade que para mim não há atrativos na originalidade por si só, tampouco penso haver razões para viver acomodado na normalidade. Somos pessoas únicas - temos nossos gostos pessoais, nossas orientações próprias, e acho uma pena que tantas pessoas cedam às pressões do que se tem por socialmente aceitável e não explorem sua própria individualidade, suas próprias idéias. Não questionam; aceitam o que vem de fora. "Por que eu teria razão, por que questionar?", talvez pensem, "se tenho o mundo inteiro a apontar-me como fazer, ser, agir?".
É em verdade um argumento razoável, creio. Mas - quem disse que a maioria tem sempre a razão? Com efeito, não é realmente o que se passa; exemplos não faltam de casos do chamado "efeito manada", em que grupos de pessoas tomam uma mesma atitude apenas porque outras pessoas previamente já estavam a fazê-lo - independente desta ser razoável ou não! Quem nunca entrou em uma fila vazia, havendo outra cheia ao lado - cheia apenas porque todos que entraram o fizeram por haver já pessoas nela, não se dando ao trabalho de se perguntar se a vazia não estava realmente aberta -?
Mais importante do que ser diferente ou normal, creio, é respeitar os nossos próprios senso crítico e personalidade. Isso porque tais qualidades caracterizam nossa individualidade; se abrimos mãos de exercê-los, estaremos abrindo mão do que efetivamente nos define.
Acho-as bonitas, as pessoas que simplesmente são como são.
(Como você, bom amigo!)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Sobre a internet como espaço de poder
"- As memórias humanas, suas idéias, sua cultura, história - genes não contêm nenhum registro da história humana. É acaso algo que não deve ser passado adiante? Deve tal informação ser deixada à mercê da natureza? Nós sempre mantivemos registros de nossas vidas. Através de palavras, pinturas, símbolos... de tábulas a livros... Mas nem toda essa informação foi assimilada pela gerações posteriores. Uma pequena porcentagem do todo foi selecionada e processada, e então passada adiante. Não muito diferente dos genes, em verdade - disse o coronel, seu rosto tão vivo quanto uma máquina poderia aparentar.
Não podia acreditar no que estava vendo, ouvindo.
- É disso que a história se trata, Tiago - continuava. - Mas no mundo atual, digitalizado, informação triviais acumulam a cada segundo, preservadas em toda sua crueza. Nunca se deteriorando, sempre acessíveis. Rumores sobre insignificâncias, más interpretações, calúnias... toda essa informação preservada sem filtragem alguma. E crescendo a taxas alarmentes.
Um relampejo, e por alguns segundos o rosto que via parecera o de uma caveira - o presságio perfeito do que os esperava. Aquelas palavras, vindo do porta-voz da entidade responsável pelo bem-estar de todas aquelas pessoas!
- Irá apenas diminuir o progresso social, reduzir a taxa de evolução.
O coronol olhou-o, repreensivo.
- Você parece pensar que nosso plano é um de censura."
- Adaptado de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty.
O advento dos blogs, fotologs e similares representa a cessão para o indivíduo - qualquer indivíduo - de um grau de poder que há anos seria inimaginável: a capacidade de potencialmente difundir sua voz para todos seus amigos, conterrâneos, compatriotas.
Para o mundo!
É grande, esse poder. Ler as palavras de alguém envolve, invariavelmente, ceder-lhe espaço ao pensamento - permitir-lhe argumentar, levar-lhe pela mão. Mesmo as pessoas que em discussões normais não conseguem deixar de pronunciar-se são obrigadas a persignar-se em silêncio, respeitando o que se trata efetivamente de um monólogo por parte do escritor. E nesta exposição unilateral sonhos podem ser esboçados, pontos de vista expostos, mal entendidos esclarecidos, histórias contadas, pessoas caluniadas...
Isso é interessante porque, sendo tal um veículo supostamente perfeito para impor pontos de vista, pode-se com alguma facilidade discernir quem de seus usuários o utiliza efetivamente com tais pretensões.
A vaidade subjacente a tantos e tantos desses espaços é, de certo modo, divertida.
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