sábado, 29 de maio de 2010

Metáfora para a vida?

Compra-se um travesseiro novo. Ele é de qualidade; pô, até assume o formato de sua cabeça.
"Tecnologia da NASA!", diz a propaganda. Presunçoso, claro - mas com efeito o troço é confortável.
E, ainda assim, não é nada trivial acostumar-se.

Ultimato

- Devolve - ordenou -, devolve minha gana.

Agora!

Ou tomá-la-ei à força!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um velho dito

Mais que as palavras de uma pessoa, são suas atitudes que a definem.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Atestado de bobice

Você pode saber-se dono de um quando ouve - das bocas de um amigo (!) - o seguinte:
"Mas rapaz, foi só depois de um ano de lhe ter conhecido que eu percebi que você é, realmente, assim tão bobo!"

A assunção da culpa

- Pequeno...
Seu olhar enterneceu, pela primeira vez.
- Compreendo que o estejas a dizer. Dói-me (e como não?) ouvi-lo da tua boca, mas creio que já havia de esperá-lo - não, não é que esperasse da tua parte ingratidão ou o que o valha - mas sim que há sempre nessa vida tempos quando o espírito esmorece, e mesmo o mais férreo dos homens cede em suas bases. Ah, pequeno, certamente não tem sido fácil; não passaste por pouco. Dou-te toda a razão.
A culpa, com efeito, é toda minha. Confundes-te, entretanto, com relação às acusações.
Essa solidão a que te referes, pequeno... ela nada mais é que a dor pelo passado. É bem verdade que te ensinei a viver em desacompanhado; que te disse, repetida, reiteradamente, que convém saber não ter para poder em verdade desfrutar - porque, pequeno, conquanto doa, sabes dos maus que causamos por aferrarmo-nos demasiado ao que realmente não necessitamos. O amor por quem queremos bem às vezes pede que nos dispamos de coisas as mais queridas - e ah, pequeno, sabes que tinhas que e querias estar pronto para uma tal necessidade.
Isso não significa, entretanto, que estejas sozinho.
Pensas mesmo ser o caso, quando tens todas essas mãos a oferecer-te auxílio? Mãos ternas, agradecidas - as mesmas que ajudaste há muito e pouco e sempre a alçar e levantar? Mãos dos que, ainda que talvez diferentes, compartilham de tuas alegrias, felicidades, tristezas, vitórias e derrotas; mãos que, apesar dos disparates que eventualmente cometam (e cometerão!) contra ti, sabes que te terão levado junto ao coração (ou pensas que o beijo de Judas não tinha, também, o amargo sabor da tristeza pelo que fizera?).
Não, pequeno. Não estás sozinho, tampouco de humanidade despojado; tens-na antes, isto sim, toda dentro de ti.
Com relação a teus sonhos... ah, pequeno! Quão tolo és - como não atiram disparates os homens, quando acuados! Não percebes tu que, se não vês tudo o que lograste, as montanhas que moveste, os castelos que construiste, não é senão porque te situas sobre eles? Olha para baixo, pequeno, e verás do que construiste o tamanho - e aí então estarás certo: com efeito a estrutura oscila - mas tanto mais oscilam as estruturas quanto gigantes se tornam, e isto nada mais é que o esperado.
Não, pequeno: teus sonhos estão longe de ruir. E acrescento-lho: em sendo o caso, não apenas estarias preparado quanto, querendo-no, reconstruirias-los de pronto.
Quanto aos teus amores, pequeno... Trata-se apenas da vida, que por vezes veste o manto do aleatório. Pergunto-te, entretanto, apenas e tão somente uma coisa: crees mesmo que foi a tua boa vontade, o teu ímpeto de compartilhar os princípios que desta vida julgaste os mais bonitos ou justos, ainda que por vezes (ou quase sempre) à princípio estranhos ou de aparência infactível, que os teria afastado? Pensa bem, pequeno, e verás que na vida foi isto o mais grandioso que fizeste. Não, não - o que com teus amores criaste não foi pouca coisa, e podes saber-te tão querido quanto os queres - e isto, o sabes, de modo algum é de pouca monta.
Teu amor às pessoas é tão grande quanto te atreves a amar, e amando assim conquistaste o mundo.
Agora descansa, pequeno, e restaura teu ânimo. É fato que, se não me perdoas, é em verdade porque a ti próprio não logras fazê-lo.

sábado, 15 de maio de 2010

O culpado

- Saia daqui! A culpa é toda tua!
Como não fosse embora, entretanto, prosseguiu:
- Não fosse por ti, minha vida não seria esta miséria sem precedentes! Certamente talvez não estivesse um mar de rosas, claro, mas tampouco estaria assim - fastidiosa!
Tu me fizeste perder tudo!
Se agora me encontro sozinho; se não encontro singela amizade, conforto na companhia de alma viva, é por tua causa! Por todas as vezes que me fiei em ti, em detrimento de todos os outros! Por acreditar na tua palavra - que estavas certo, que não deveria confiar em outrem, que a absoluta maioria deste mundo tende ao mais estúpido erro, e repetidas vezes!, enquanto tu, agora e supostamente todas as vezes passadas, estás e sempre estiveste certo! Impediste-me de comungar! (A)tiraste-me do morno leito da sociedade para o estrado frio, incômodo e sequer ao menos digno da perscrutagem solitária!
Arrancaste de mim minha humanidade! Transformaste-me nessa criatura repugnante, incapaz si própria de suportar-se!
E tudo isso que me fizeste construir!? "Castelos", dizias, impelindo-me à burra empresa de construi-los - essas monumentais alegorias à inocuidade humana, o mais perfeito fruto de seu suor e diligência!, incapazes entretanto de trazer agora um mínimo de satisfação ou recompensa ou paz que seja à tola alma que os levou a cabo! Vê! Vê como a mais dispersa brisa os faz tombar! São meus sonhos que se desfazem em pó - e, com eles, minha sanidade! A sanidade que tu foste incapaz de manter, cultivar, acalentar! Desfeita em pedaços, sob os escombros desta fria pusilanimidade!
Não, não... Não! E aos poucos por quem posso dizer haver-me sentido perto de amar, os poucos que estiveram perto de arranhar a superfície deste coração que tu petrificaste, também tu fizeste questão de, nefastamente, com teus modos sempre meticulosos, ardilosamente arquitetados de maneira a parecerem nobres, afastar! Cuidaste com que eu os impelisse ao mesmo inferno que tu me apresentaste - este mundo de portões tão bonitos e sedutores, mas que demasiado rapidamente se fecham quando adentrados, aprisionando os pobres infelizes que o fazem nisto que se revela o verdadeiro avesso da paz ou beleza ou felicidade! Não, eles ou não os adentraram ou apenas tão pouco tempo ali sobreviveram - ao contrário de mim, que, por inata teimosia ignóbil, ou - mais provavelmente - pela crueldade com que me alimentas com doses homeopáticas de vã esperança, simplesmente, para meu infortúnio maior e derradeiro, simplesmente não tenho o mesmo destino!
Não posso perdoar-te, não quero perdoar-te -
e não vou perdoar-te!
Despertei para o que há de mais terrível na experiência humana, e a culpa é toda tua!
Ofegou. O réu de todas as suas acusações permanecia ali, impassível - não, sua imagem ao espelho não estava menos serena do que alguma vez antes já estivera.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Alegre surpresa

Ora, e eis que não são a tristeza e a miséria o único combustível da boa arte!

terça-feira, 11 de maio de 2010

O cúmulo da bem-querença

Tratar mal alguém apenas para retirar desta pessoa as ressalvas com relação à sua amabilidade.

(Porque há quem confunda amabilidade com fraqueza de espírito.)

sábado, 8 de maio de 2010

Onipotência

Procuro pensar que tudo é possível.
Que, dispondo de tempo e energia, tudo é possível.
A grande questão seria: quanto de tempo e energia se está disposto a - ou vale a pena - investir?
Ainda tergiversando. E saindo do propósito deste blog, mas em consideração a uma pessoa:
Eu me chamo André Luiz de Aguiar Ribeiro; sou matemático de alma, engenheiro por opção e - quem sabe? - futuro gestor por teimosia. Sou simples, ainda que por meios complexos. Acredito no que há de bom no coração dos homens, apesar de também em sua falência devido às tristeza que esse mundo às vezes singelamente impõe.
Leio Kafka. Adoro como ele expressa o desespero que sinto no âmago de meu ser; porque, ainda que este esteja dominado, saber-se solidário em sentimentos com uma alma neste mundo já traz mais paz. E também adoro Machado, acredito que pela mesma razão. Espero apenas que quando vivos estes tenham podido experimentar que a vida é mais que um mar de rosas belas e tristes.
Viver é uma dádiva.
Considero ter muitos amigos; é possível que alguns não o julguem, mas mesmo por esses moveria montanhas. Amo as pessoas, considero-as o bem mais valioso deste mundo - dignas de lutar por; dignas de morrer por. Mesmo os supostos inimigos (o que raios seria um inimigo?).
Sempre pensei muito, sempre procurei esforçar-me ao máximo, sempre procurei o caminho das pedras. Não sei se foi o resultado de quando pequenino ser demasiado aficcionado por um personagem cabeludo, que voava em uma nuvem dourada e tinha essa mesma postura. O fato é que o assimilei, e em um ambiente de curioso amor familiar estas características cresceram. Taekwondo, natação, estudos, atividades paralelas, postura ante a vida - em nada disso procurei vacilar. Sempre dei meu melhor, me atirei de cara.
Ainda que houvesse medo, por vezes.
Para o futuro, pretendo nada menos que todos meus sonhos. Talvez não os logre, sei lá - mas não será por falta de tentativa, não será por vacilar no ânimo, não será por não haver dado nada menos que o máximo que posso que não os lograrei.
Medo, como disse, eu tenho - talvez até demais. Hannibal Lecter uma vez disse a um tal inspetor Will Graham que ele fedia a medo, mas que era corajoso o suficiente para não deixar-se dominar. É meu caso. Tenho esse medo gigante, uma quimera de umas trocentas e não sei quantas cabeças, mas que trago sob rédea curta e a que imponho ordem sempre que preciso.
Por essas e outras coisas, você não pode me machucar. Não assim. O que me machuca - meu ponto fraco -, e que há pouco tempo abriu uma ferida de proporções sem fim, é inadvertidamente ferir as pessoas - principalmente as que mais quero bem. Não suporto machucá-las, e até hoje não sei se consigo perdoar-me pelas vezes que já o fiz.
Felizmente, você parece longe disso; é até com gosto que eu lhe trato com essa carinhosa violência.
De resto, não nutro por sua postura nada menos que profundo respeito. Agora entenda você que eu não vou afastar-me. Por acaso você tem medo? De mim? Acredito que não; tampouco tem razões para tal. Essa fera dócil que lhe tem visitado não consegue nem por o próprio bem-estar acima do seu, ainda que em certos momentos o quisesse.
Assim, por respeito a mim e respeito a você, eu traço essa linha. Essa linha aí. Eu rujo e agito minhas asas, e rosno e ameaço lhe morder e arrancar pedaços (o que devido ao seu tamanho não seria difícil). Mas a linha está aí e, apesar de situar-me nos limites, o fogo das ventanas até ultrapassando-a um pouco, eu não vou transpô-la.
Apenas desejo, ávido, que você ouse. Vai, ousa decifrar-me! Aproxima-te! Deixa-me devorar-te!
Pensas, gigantesco ser pequeno, que podes devorar-me. É possível, estou consciente disso. Mas minha bocarra é do tamanho do mundo, e a idéia de um desafio sempre fez o meu sangue ferver.
Vai, tenta!
A linha está aí. Podes tomar o tempo que quiseres; os dias passam, e minhas garras só ficam mais afiadas.

domingo, 2 de maio de 2010

Tergiversando:
Tá de brincadeira, só pode.