segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A Mais Feroz de Todas as Bestas

Hoje, um poema à tão desconhecida - porém monstruosa - capacidade humana de sobreviver e, por que não?, moldar a realidade à sua vontade.
Porque há dentro de nós uma truculência absurda; e domá-la é crescer. 

A Mais Feroz de Todas as Bestas

Um terrível canino trespassa meu peito,
e posso mesmo ver minhas tripas -
que, sanguinolentas, projetam-se para fora.

Já não sinto meu braço;
dentes quebrados caem enquanto urro.
Sequer já tenho pernas, talvez.

A aberração - o ser a me aniquilar,
com seus dentes e espinhos e tentáculos -
me observa
assustada

porque sorrio.

O maior terror deste mundo
é a mais pueril das coisas
ante
mim.

- A mais feroz de todas as bestas jaz dentro de nós,
humanidade.

(André Ribeiro)

Seien wir Übermensch!

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