"O homem é assombrado pela vastidão da eternidade, e por isso nos perguntamos se nossas ações ecoarão através dos séculos.
Ouvirão estranhos nossos nomes após havermos morrido, e imaginarão quem fomos? Com quanta braveza lutamos, e quão intensamente amamos?"
- O narrador de Tróia, película de 2004.
Para uma primeira vez escrevendo aqui, optei pelo tema da grandeza e da eternidade; e o fiz por reiteradamente ver o caso de pessoas desiludidas com a vida - e sua suposta falta de significado.
Porque às vezes as pessoas vêem seu deus sumir; ou percebem que a ganância é uma das maiores forças motrizes do ser humano; ou descobrem ser o amor algo não tão semelhante assim ao que se ouve nos contos de fada ou se vê na televisão.
E tudo isso pode ser muito bem verdade. Não podemos dizer, mas é simplesmente muito provável que sejamos o lixo do universo; um aglomerado de átomos a apresentar comportamento orgânico e "consciente" justamente porque a probabilidade infinitesimal de isso ocorrer haveria de, em um intervalo de tempo suficientemente largo, acontecer. Nosso comportamento cretino, simplesmente advindo do fato de que os assim a proceder sobreviviam; e nosso amor assim carnal e egoísta, proveniente da necessidade de assegurar a prole.
Sim: ao aprofundar-se nesses pensamentos, é bem possível que alguém perca a energia, o encantamento com o viver.
Mas a questão é - deveria mesmo?
Não fazem todavia as idéias humanas absoluto sentido para nós? E certamente todas têm suas raízes em motivações puramente físicas - mas nós, com nosso pensar e nossos sentimentos, não as estendemos, e por vezes com frequência, a um nível maior?, um nível muitíssimo maior?
Idéias como amor, amizade, justiça ou o que sejam - todas crescem à medida que as alimentamos com nossos desejos, nossos pensamentos; e justamente por as acharmos belas, dignas de ser cultivadas - ainda que não tenham origem ou reflexo algum no mundo físico.
Essa é justamente a chama da humanidade: nossa capacidade de sonhar; com o dom da consciência obtivemos a capacidade de criar, e encher a nossa existência de um significado tão intenso que por ele arriscaríamos tudo.
O mundo e a posteridade são, definitivamente, dos apaixonados - homens que lutem pelo que querem, não arrefeçam e se esforcem ao limite por seus sonhos; homens que justamente pela intensidade com que se apaixonaram deixarão em nossas memórias de fato uma marca.
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