sábado, 8 de maio de 2010

Ainda tergiversando. E saindo do propósito deste blog, mas em consideração a uma pessoa:
Eu me chamo André Luiz de Aguiar Ribeiro; sou matemático de alma, engenheiro por opção e - quem sabe? - futuro gestor por teimosia. Sou simples, ainda que por meios complexos. Acredito no que há de bom no coração dos homens, apesar de também em sua falência devido às tristeza que esse mundo às vezes singelamente impõe.
Leio Kafka. Adoro como ele expressa o desespero que sinto no âmago de meu ser; porque, ainda que este esteja dominado, saber-se solidário em sentimentos com uma alma neste mundo já traz mais paz. E também adoro Machado, acredito que pela mesma razão. Espero apenas que quando vivos estes tenham podido experimentar que a vida é mais que um mar de rosas belas e tristes.
Viver é uma dádiva.
Considero ter muitos amigos; é possível que alguns não o julguem, mas mesmo por esses moveria montanhas. Amo as pessoas, considero-as o bem mais valioso deste mundo - dignas de lutar por; dignas de morrer por. Mesmo os supostos inimigos (o que raios seria um inimigo?).
Sempre pensei muito, sempre procurei esforçar-me ao máximo, sempre procurei o caminho das pedras. Não sei se foi o resultado de quando pequenino ser demasiado aficcionado por um personagem cabeludo, que voava em uma nuvem dourada e tinha essa mesma postura. O fato é que o assimilei, e em um ambiente de curioso amor familiar estas características cresceram. Taekwondo, natação, estudos, atividades paralelas, postura ante a vida - em nada disso procurei vacilar. Sempre dei meu melhor, me atirei de cara.
Ainda que houvesse medo, por vezes.
Para o futuro, pretendo nada menos que todos meus sonhos. Talvez não os logre, sei lá - mas não será por falta de tentativa, não será por vacilar no ânimo, não será por não haver dado nada menos que o máximo que posso que não os lograrei.
Medo, como disse, eu tenho - talvez até demais. Hannibal Lecter uma vez disse a um tal inspetor Will Graham que ele fedia a medo, mas que era corajoso o suficiente para não deixar-se dominar. É meu caso. Tenho esse medo gigante, uma quimera de umas trocentas e não sei quantas cabeças, mas que trago sob rédea curta e a que imponho ordem sempre que preciso.
Por essas e outras coisas, você não pode me machucar. Não assim. O que me machuca - meu ponto fraco -, e que há pouco tempo abriu uma ferida de proporções sem fim, é inadvertidamente ferir as pessoas - principalmente as que mais quero bem. Não suporto machucá-las, e até hoje não sei se consigo perdoar-me pelas vezes que já o fiz.
Felizmente, você parece longe disso; é até com gosto que eu lhe trato com essa carinhosa violência.
De resto, não nutro por sua postura nada menos que profundo respeito. Agora entenda você que eu não vou afastar-me. Por acaso você tem medo? De mim? Acredito que não; tampouco tem razões para tal. Essa fera dócil que lhe tem visitado não consegue nem por o próprio bem-estar acima do seu, ainda que em certos momentos o quisesse.
Assim, por respeito a mim e respeito a você, eu traço essa linha. Essa linha aí. Eu rujo e agito minhas asas, e rosno e ameaço lhe morder e arrancar pedaços (o que devido ao seu tamanho não seria difícil). Mas a linha está aí e, apesar de situar-me nos limites, o fogo das ventanas até ultrapassando-a um pouco, eu não vou transpô-la.
Apenas desejo, ávido, que você ouse. Vai, ousa decifrar-me! Aproxima-te! Deixa-me devorar-te!
Pensas, gigantesco ser pequeno, que podes devorar-me. É possível, estou consciente disso. Mas minha bocarra é do tamanho do mundo, e a idéia de um desafio sempre fez o meu sangue ferver.
Vai, tenta!
A linha está aí. Podes tomar o tempo que quiseres; os dias passam, e minhas garras só ficam mais afiadas.

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