Uma vez ouvi de meu pai que eu "sonhasse com o que queria ser; e que, pouco a pouco, talvez sequer sem que percebesse, tornar-me-ia aquilo". Lembro-me de haver desconsiderado o comentário; parecia... parecia apenas algo certo a se dizer - algo bonito.
Já não sei, entretanto, se convinha desmerecê-lo mesmo: porque os anos vão passando, e cada vez me deparo com uma realidade mais próxima com o que idealizava para mim - conforme o que afirmara meu pai. Objetivos vão se concretizando: os sonhos, sem caminho definido para se alcançar, vão assumindo contornos mais delineados, factíveis; a identidade preconizada vai se formando.
Torna-se quem que se desejava ser.
Parece-me que nem sempre isso é perceptível, claro, e que por vezes esse vislumbre dura apenas poucos segundos. Mas recentemente estive consultando documentações minhas - cartas, e-mails, registros em geral - e deparei-me com indagações e anseios com relação ao futuro que coincidem precisamente com o que vivencio agora. Com ideais que, se agora estão amparados por conquistas já bem estabelecidas, nem por isso não estavam presentes antes na forma de objetivos.
Não apenas estavam, como foram as bases para o que existe hoje.
É uma interessante sensação essa, de deparar-se com mil ecos de eus anteriores. É a história reafirmando o homem.
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