Depois de adormecer, nada foi igual. Ou antes era, ainda que não devesse ser: abriu os olhos, e estava diante daquele, justo aquele!, telefone público. Ao redor, pessoas e vozes ininteligíveis; no telefone, uma senhora que não conseguia compreender.
Estava no início.
Travou o telefone no gancho, certamente transmitindo uma rudeza que agora, desta vez, já não lhe preocuparia. Outras coisas passavam por sua cabeça; tudo - pessoas, lugares, sonhos, prazeres, sonhos, pessoas, sonhos, sonhos, sonhos, pessoas, pessoas, castelos no ar -, tanto dentro quanto fora dele, se desfazia.
- Eu não pedi por isso - era o único que conseguia pensar -, eu não pedi por isso.
Viu um milhão de mundos diante de si.
EU NÃO PEDI POR ISSO
Viver era matar infinitas vidas a cada segundo a cada momento
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