sábado, 10 de janeiro de 2009

Titãs

Na hipótese de realmente poder haver almas nesse mundo a procurar o bem-estar alheio acima do seu, seria com toda certeza bom para estas mesmas acercar-se de outras com o mesmo ideal.
Agora sobre a existência de pessoas assim, acredito ser muito difícil dizer - o fato é que há as que tentam.
Já quanto ao mérito dessa postura - tentar -, trata-se de algo profundamente relativo - não é possível, simplesmente por se tratar de uma análise pessoal, taxá-la categoricamente como melhor ou o que seja, assim como não faz sentido dizer que a postura de alguém egoísta é ruim (seria ruim em que sentido? "Ruim" subentende análise de valor, de princípios, e estes são bem pessoais).
O que acredito ser possível dizer, isto sim, é que a existência de tais pessoas realmente favorece um bem-estar coletivo; e se em maior número, tanto melhor.
Já em minha opinião, ao menos, a validade de um tal comportamento dito "altruísta" só se dá realmente quando quem o exerce o faz com ferocidade (esta é uma palavra deliberadamente escolhida; espero logo entendam o porquê); porque também acredito ser estritamente necessário cuidar de si - já que, dito de curto modo, é precisar estar bem para (continuamente) trazer o bem. Assim, o ponto em que estes dois arquetipos de comportamento se tocam seria aquele no qual a pessoa é tão absolutamente segura de si que realmente o bem-estar alheio se tornaria o seu; não se trataria de um "mártir", a machucar-se pelos outros - trataria-se com efeito de um guerreiro, alguém que genuinamente encontrou na felicidade alheia a sua e luta ferrenhamente por isso.
Esse último comportamento sim me fascina.

Um comentário:

Viver e Não ter Vergonha de Ser Feliz disse...

André, "mi hijo", tens um discernimento raro, se levarmos em consideração a sua idade e experiência de vida. Você discerne sobre questões metafísicas emitindo conceitos próprios, o que demonstra, principalmente, ansiedade em querer encontrar a essência das coisas.
Que tal enveredar pela carreira das letras?
O comentário inteligente, arrazoado, focado na razão, produz em que lê justificativas para as desconfianças que todos nós temos sobre alguma coisa. É como se alguém "descobrisse a pólvora" para nós; é como justificar-se no pensamento de outrem.
Quando você colocou: "é preciso estar bem para (continuamente) trazer o bem" lembrei-me daquele aviso que estamos acostumados a ouvir quando viajamos de avião: "Em caso de despressurização desta aeronave máscaras de oxigênio cairão a sua frente; coloque-a primeiro em você e, após, na criança que estiver a seu lado".
Inequivocamente é preciso estar bem para fazer o bem; só pode dar algo quem algo tem...
Continue escrevendo, vou ser seu leitor assíduo.
Beso con cariño
Su papá