quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Véspera Rubra

Acabo de assistir a Sociedade dos Poetas Mortos - filme bem antigo, típico sessão-da-tarde; e entretanto o qual eu nunca tinha visto por completo. Ótimo filme. Inspirante!
Segue então, em homenagem às idéias do filme e a nós, tolos humanos - com nossos amores e sonhos e patéticos momentos de brilhante mediocridade - um bem devido poema!

Véspera Rubra

Do amor,
uma hecatombe.

Este, a flor do homem mais linda,
murcha,
seca.

Até o oblívio
um passo só - ou antes vários
sutis,
indiferentes,
ignominiosamente impensados.

Assim que quando não mais restarem pétalas;
apenas retorcidos espinhos
e um detestável cheiro de sangue
seco
dirás, pois:

"que fiz?"

Tu tudo e nada fizeste.
E a verdade é que não há neste mundo pessoa isenta
de gravíssima culpa;
ainda que no entanto alguns,
uns tolos alguns,
a si tentem redimir.

Com a iminência do nada,
palavras antes engolidas escapam
e soam ocas
a quem as ouve.

(André Ribeiro)

E em verdade eu teria gostado de postar algo mais.... vivo, animado. Mas receio que por enquanto vocês devam satisfazer-se com isso; porque meu eu-lírico ainda se impressiona - e muito! - com sua auto-superação e nascença pela dor.
Pelo que então vocês, pobres leitores, deverão resignar-se e tremer ante minha fúria poética!
Oh captain, my captain!

Nenhum comentário: