"- As memórias humanas, suas idéias, sua cultura, história - genes não contêm nenhum registro da história humana. É acaso algo que não deve ser passado adiante? Deve tal informação ser deixada à mercê da natureza? Nós sempre mantivemos registros de nossas vidas. Através de palavras, pinturas, símbolos... de tábulas a livros... Mas nem toda essa informação foi assimilada pela gerações posteriores. Uma pequena porcentagem do todo foi selecionada e processada, e então passada adiante. Não muito diferente dos genes, em verdade - disse o coronel, seu rosto tão vivo quanto uma máquina poderia aparentar.
Não podia acreditar no que estava vendo, ouvindo.
- É disso que a história se trata, Tiago - continuava. - Mas no mundo atual, digitalizado, informação triviais acumulam a cada segundo, preservadas em toda sua crueza. Nunca se deteriorando, sempre acessíveis. Rumores sobre insignificâncias, más interpretações, calúnias... toda essa informação preservada sem filtragem alguma. E crescendo a taxas alarmentes.
Um relampejo, e por alguns segundos o rosto que via parecera o de uma caveira - o presságio perfeito do que os esperava. Aquelas palavras, vindo do porta-voz da entidade responsável pelo bem-estar de todas aquelas pessoas!
- Irá apenas diminuir o progresso social, reduzir a taxa de evolução.
O coronol olhou-o, repreensivo.
- Você parece pensar que nosso plano é um de censura."
- Adaptado de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty.
O advento dos blogs, fotologs e similares representa a cessão para o indivíduo - qualquer indivíduo - de um grau de poder que há anos seria inimaginável: a capacidade de potencialmente difundir sua voz para todos seus amigos, conterrâneos, compatriotas.
Para o mundo!
É grande, esse poder. Ler as palavras de alguém envolve, invariavelmente, ceder-lhe espaço ao pensamento - permitir-lhe argumentar, levar-lhe pela mão. Mesmo as pessoas que em discussões normais não conseguem deixar de pronunciar-se são obrigadas a persignar-se em silêncio, respeitando o que se trata efetivamente de um monólogo por parte do escritor. E nesta exposição unilateral sonhos podem ser esboçados, pontos de vista expostos, mal entendidos esclarecidos, histórias contadas, pessoas caluniadas...
Isso é interessante porque, sendo tal um veículo supostamente perfeito para impor pontos de vista, pode-se com alguma facilidade discernir quem de seus usuários o utiliza efetivamente com tais pretensões.
A vaidade subjacente a tantos e tantos desses espaços é, de certo modo, divertida.
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