"Eu sempre quis ser diferente; e tanto fiz nesse sentido! Mas agora vejo que sê-lo é tão... solitário" disse um bom amigo - tomei a licença de mudar-lhe as palavras, mesmo porque a memória talvez me falhe (ademais, meu rapaz - se você estiver lendo isso -, saiba que ao reproduzir suas palavras não tenho pretensões de avaliar realmente como você pensa ou se sente, e sim apenas expor como o entendi).
Diferente do amigo supracitado acima, eu nunca quis ser diferente; com efeito, sempre avaliei com uma ponta a mais de suspeita o comportamento de pessoas que querem sê-lo apenas por ser. Não consigo deixar de pensar que estejam apenas a cultivar seu ego - e isso, por si só, ao menos para mim, não tem nada de particularmente atraente.
Se é verdade que para mim não há atrativos na originalidade por si só, tampouco penso haver razões para viver acomodado na normalidade. Somos pessoas únicas - temos nossos gostos pessoais, nossas orientações próprias, e acho uma pena que tantas pessoas cedam às pressões do que se tem por socialmente aceitável e não explorem sua própria individualidade, suas próprias idéias. Não questionam; aceitam o que vem de fora. "Por que eu teria razão, por que questionar?", talvez pensem, "se tenho o mundo inteiro a apontar-me como fazer, ser, agir?".
É em verdade um argumento razoável, creio. Mas - quem disse que a maioria tem sempre a razão? Com efeito, não é realmente o que se passa; exemplos não faltam de casos do chamado "efeito manada", em que grupos de pessoas tomam uma mesma atitude apenas porque outras pessoas previamente já estavam a fazê-lo - independente desta ser razoável ou não! Quem nunca entrou em uma fila vazia, havendo outra cheia ao lado - cheia apenas porque todos que entraram o fizeram por haver já pessoas nela, não se dando ao trabalho de se perguntar se a vazia não estava realmente aberta -?
Mais importante do que ser diferente ou normal, creio, é respeitar os nossos próprios senso crítico e personalidade. Isso porque tais qualidades caracterizam nossa individualidade; se abrimos mãos de exercê-los, estaremos abrindo mão do que efetivamente nos define.
Acho-as bonitas, as pessoas que simplesmente são como são.
(Como você, bom amigo!)
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