sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Como dissera ser um daqueles homens que o garoto sempre via, que parecia uma barata tonta de sempre tanto ir dum canto a outro sem sequer olhar, alheio a tudo e a todos ao redor, o garoto não resistiu a perguntar:
- O que você faz? Digo, vocês. Meus pais não gostam desses homens que andam vestidos assim, dizem que vocês só pensam em si mesmos.
O homem o olhou, um breve silêncio antes que pudesse responder.
- Talvez seus pais estejam certos - disse -, mas não é assim com todos nós. Quando comecei a trabalhar, eu queria ajudar os outros... Era o que deveríamos fazer, afinal.
Olhou de volta o homem. Não parecia capaz de fazer mal a alguém, apesar de parecer apto a fazer mal a todos (e não o parecem, esses homens?).
- Eu quero ajudar os outros - disse o garoto, seguido de uma pausa. Você não quer mais?
- Para falar a verdade? Sim, gostaria.

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