Havia ido até aquele lugar, aquela praça que tanto lhe encantava. Era um dia normal, o constante movimento de vai-e-vem de pessoas em seus afazeres, cada qual com seu rumo, e talvez se pudesse dizer que tinha sorte porque o sol brilhava e não havia a menor ameaça do mal tempo que, afinal, não era incomum por aquelas terras. Ao centro da praça, belo como sempre lhe parecera desde que conhecera o lugar, o enorme morro de pedras e grama - o que era para ser uma espécia de ilha em um monumento que outrora fora rodeado de água - mas que agora, por razões as pueris que fossem, da ameaça de este ou aquele mosquito transmissor de doenças ou às dificuldades de manutenção, estava seco, uma espécie de símbolo de tempos que já foram melhores.
Com ele jaziam um homem e um garoto, e por razões ao fim não tão diferentes observavam ambos ao monumento.
- Gosto de imaginar que é um dragão... - Disse o menino, e apontou para o monte de pedras, o limo, a grama e todo o ecossistema que havia naquele pequeno projeto de montanha. Mas que está dormindo, sabe. Ninguém imagina, mas um dia ele podia acordar e devorar a todos!
O homem riu. Típico de uma criança, dizer aquilo, e apesar disso talvez ele mesmo se sentisse atraído pela praça, e aquela praça era no fundo aquele monumento, por essa mesma razão.
- Você sabe que o vão destruir, não? A preservação deste local já é impraticável; acham que essa praça tem que transmitir a quem passe a noção de modernidade. - Falou o homem, dando alguns passos para frente e apoiando os pés sobre o banco que ladeava todo o antigo lago, por fim apontando para o centro do lugar. Veja, aqui até vão fazer uma ponte.
Um passarinho pousou no ponto mais alto do morro, saltando e ciscando a grama seca.
- Eu também gostava da ideia do dragão, para falar a verdade... - Acrescentou, deixando escapar um muxoxo.
O garoto olhou, pensativo.
- É... acho que ele vai ter que ir para outro lugar, né?
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