"Ei, não faça isso! Não vê o péssimo exemplo que está dando para o garoto?" disse a senhora alemã, referindo-se ao suposto péssimo comportamento de um amigo meu quando de sua travessia em uma rua, o sinal vermelho e uma criança a olhar tudo.
Tendo ouvido essa história, lembrei-me de outros casos de igual estirpe - pessoas a defender o legalismo puro e simples em suas diversas formas. E com toda a certeza esse não é um assunto distante de ninguém - pois toca em temas e situações bastante presentes em nossas vidas; como direitos autorais, obediência civil e mesmo uma travessia inocente quando o sinal está vermelho e não vêm carros.
Lembro-me particularmente de um caso que presenciei em um fórum, onde um fulano defendeu ferrenhamente a não confecção de cópias de objetos protegidos por direitos autorais - tanto em larga escala quanto relativamente à reprografia aparentemente mais pueril que um estudante faz de um livro para poder estudar.
Essa postura de conformidade incondicional às leis me deixou curioso. Eu a tinha exercido quando mais jovem, mais com o passar do tempo um senso diferente se desenvolveu; um senso a meu ver mais razoável, ainda que não estritamente posto no papel ou explícita e meticulosamente criado.
Legalismo puro e simples, hein?
A meu ver, sinceramente, sequer há como gastar mais que um parágrafo com um tema assim - parece-me bem evidente que obediência irrestrita para com a legislação não é razoável. Porque por mais que legisladores fossem pessoas as mais razoáveis possíveis (o que, a meu ver, é algo distante da realidade), certamente ainda assim haveria aqueles momentos no qual leis incoerentes seriam criadas. E se isso não fosse o suficiente, para derrubar o legalismo puro e simples bastaria citar casos de obediência civil que vão diretamente contra nosso bom-senso - como por exemplo (bem clichê, é verdade, mas estou com preguiça de pensar por mais que alguns minutos - e de qualquer modo trata-se de um contra-exemplo perfeitamente válido) com relação às ordens nazistas de extermínio em massa.
Pronto... essa idéia posta por terra, acredito que vale a pena considerar o ilegalismo brando - em outras palavras, uma desobediência às leis quando se as julgar inapropriadas em um determinado contexto. Essa capacidade avaliativa entretanto parece-me algo pessoal, e por isso não acho interessante expô-la como que em um monólogo aqui.
Apenas posso antecipar que certamente haverá quem seja contra a idéia, dizendo que se todos procederem assim o que teríamos seria um grande estado de casa-da-mãe-Joana - pois dependendo da situação muitos casos poderia haver onde tal comportamento não fosse exercido com responsabilidade. E a isso respondo que as mesmas pessoas que procederiam desta forma - isto é, agindo de modo deliberadamente insensato - muito provavelmente não se absteriam de desobedecer as leis, caso esse debate não fosse travado. Ou não?
Mas, no fim, o que me assustou quanto a essas coisas foi a mera idéia apresentada por alguns segundo a qual não temos capacidade de discernir sobre certos assuntos; como se a mera existência de alguém mais conhecedor que você o coibisse de fazê-lo.
Qual é, isso equivale a relegar seu pensamento a outra pessoa!
(Ok, ok; entendo que haja pessoas dispostas a isso. Mas eu, pessoalmente, repudio a idéia.)
P.s.: Xi, é impressão minha ou acabei de fazer apologia ao crime?
Um comentário:
Apologia ao crime? Claro que não, ou até que poderia ser; vai depender do código criminal ao qual será submetido o seu posicionamento. É um código civil? (de que País?), é um código religioso (qual a religião?).
De uma coisa tenho certeza; cada um de nós pode e deve criar seus próprios códigos de conduta e, no seu, essa sua maneira de pensar é lícita e válida pois é um indivíduo livre, leve e solto para contestar toda e qualquer forma de pensamento, arbítrio ou atitudes que agridem o seu jeito de ser e querer ser AUTÊNTICO.
Beso, hijo
Postar um comentário